Imagem de destaque IDENTIDADE CULTURAL - Sucesso das Festas de Agosto e do Festival Folclórico mostra que Montes Claros ama sua religiosidade e sua arte

IDENTIDADE CULTURAL - Sucesso das Festas de Agosto e do Festival Folclórico mostra que Montes Claros ama sua religiosidade e sua arte

19/08/2026 - 13:01 | atualizado em 19/08/2026 - 12:59
SECOM | Texto: Ana Karienina Amaral | Fotos: Andrey Godinho, Silvana Mameluque e Júlia Fernandes

“Para o ano eu voltarei pra cumprir nova missão”. A música, entoada por marujos, catopês e caboclinhos, representa bem o espírito das Festas de Agosto: uma missão secular, uma tradição viva, que invade as ruas da cidade tão logo sopram os ventos de agosto para mostrar a força da cultura montes-clarense.

Este ano, mais uma vez, a missão foi cumprida. Durante cinco dias, catopês, marujos e caboclinhos saíram às ruas para honrar o legado que herdaram de seus ancestrais e que seguem passando para as novas gerações. Com danças, cantos, tambores de viola e suas vestimentas, eles transformam o centro da cidade em um vibrante reduto de cores, sons e devoção, com os tradicionais cortejos que conduzem as homenagens a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e ao Divino Espírito Santo. A cada dia, os foliões seguiram pelas ruas em direção à Igrejinha do Rosário e à Praça da Matriz. Além dos cortejos, realizaram o levantamentos dos Mastros, momentos de profunda espiritualidade. Em paralelo aos ritos religiosos, a Praça da Matriz abrigou shows musicais gratuitos, exibições de cinema, oficinas, capoeira e exposições artísticas. 

“Esse é um momento muito importante, tempo de honrar a memória dos nossos antepassados e de preservar a nossa cultura. [Essa é] uma obrigação da nossa geração, que precisa passar esse legado para as gerações futuras. É muito bom ver todos os ternos reunidos nessa comunhão, louvando e pedindo bênçãos para toda a cidade. A emoção fica a mil!”, conta o contramestre da primeira Marujada do Mestre Nenenzinho, Clayton Cruz.

Os dois eventos, a cidade vestida de fitas, a herança secular, a história viva nas ruas, tudo isso atrai visitantes de várias regiões de Minas Gerais, do Brasil e até mesmo do exterior, além, claro, dos montes-clarenses ausentes, que chegam à cidade para matar saudades e para viver o evento que remete à infância, tem um grande valor sentimental e é motivo de muito orgulho. Dentre os muitos visitantes que retornaram à cidade para vivenciar as Festas esteve a cantora norte-mineira Marina Sena. Ela fez questão de desfilar nos cortejos e participar do levantamento de mastros: "estar na cidade, participar das Festas, ver os ternos, os catopês, trazendo tanta alegria e tanta benção, é maravilhoso. O que eles fazem aqui todo ano é muito lindo. Eles são o foco de tudo. São a verdadeira beleza da Festa”.

A Festa para muitos é quando a cidade se veste completamente de cultura, com as pessoas mais voltadas para as suas raízes, para o que é produzido pelos fazedores de arte da cidade. É assim para Fernanda Lima, artista plástica que estava com suas peças à venda na lojinha de souvenirs do Centro de Atendimento ao Turista (CAT), que funcionou durante as Festas no Sobrado Versiani-Maurício. “As Festas de Agosto transformam a cidade em arte. As ruas ficam coloridas, fica tudo muito mais bonito. As pessoas voltam o olhar para a arte, querem comprar uma lembrança para levar para a cidade onde moram, para dar de presente, se interessam mais pelo artesanato. Eu, como artista plástica, percebo isso. Outro ponto é que nas Festas de Agosto a gente fica mais inspirado e produz mais. É bom pra todo mundo!”, avalia ela.

Quem participou do Festival Folclórico e pôde ver de perto as apresentações de grupos folclóricos, de capoeira e shows diversos, acredita que a Festa é preservação do patrimônio, da memória coletiva, mas é também valorização de quem faz a cultura hoje, na cidade. “As apresentações estavam incríveis, a organização também. Eu curti muito. Para o ano que vem estarei aqui novamente, e as minhas expectativas são as melhores, porque a cada ano está melhor”, frisou Artur.

Para o setor de serviços e para o turismo, o período é um dos mais lucrativos e dinâmicos do ano para Montes Claros. O evento, que atrai muitos turistas, promove a consolidação da cidade no mapa do turismo cultural e religioso, movimentando a economia, já que aumenta a ocupação de hotéis e pousadas. Bares e restaurantes registram altas taxas de ocupação e consumo.

Visitando a cidade e participando das Festas pela primeira vez, Luiz Fernando, que é de Belo Horizonte, não poupou elogios. “Impressionante a beleza, a riqueza, a alegria da Festa, que completa 185 anos, e também do Festival, com seus 46 anos. Tive a oportunidade de acompanhar marujos, catopês e caboclinhos. É muito interessante. É uma festa muito colorida e que tem a participação da população, dos artistas da cidade e uma estrutura muito legal para receber os turistas”, ressaltou ele, afirmando que pretende voltar à cidade para mais festas.

Com quase 200 anos, as Festas de Agosto marcam a identidade da cidade, da sua gente, e vão muito além: elas são patrimônio, memória e valorização do passado, e também são o presente. O Festival Folclórico, com seu quase meio século, soma-se às Festas, trazendo para as ruas as vozes dos artistas locais, a arte em suas mais diversas expressões e tudo mais que remete às raízes do Arraial, agora transformado em cidade.

ARTUR
FERNANDA LIMA
LUIZ FERNANDO
MARINA SENA